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A nova engenharia do veículo definido por software

Da engenharia mecânica ao veículo definido por software: como o automóvel está mudando as competências de engenharia

A engenharia automotiva está passando por uma mudança que vai além da eletrificação. Veículos cada vez mais conectados e dependentes de software estão aproximando áreas que, durante muito tempo, trabalharam de forma mais independente.

Mecânica, eletrônica, sistemas embarcados, conectividade e software agora participam de um mesmo conjunto de decisões. Isso muda não apenas o produto, mas também as competências necessárias para desenvolvê-lo.

O veículo ficou mais integrado

Freios, direção, baterias, sensores, unidades eletrônicas, sistemas de assistência ao condutor e softwares de controle precisam operar de forma coordenada.

É nesse contexto que cresce o conceito de Software-Defined Vehicle, em que cada vez mais funções do veículo são controladas, atualizadas ou otimizadas por software.

Isso não reduz a importância da engenharia mecânica, pelo contrário. O desafio é justamente fazer com que diferentes disciplinas funcionem de maneira integrada.

Uma decisão sobre uma bateria, por exemplo, pode envolver estrutura, peso, gestão térmica, eletrônica, software, segurança e validação. Da mesma forma, uma alteração em um componente físico pode impactar sensores, controles eletrônicos ou outras funções do veículo.

Especialização é essencial, mas trabalhar
isoladamente não basta

Essa transformação não significa que todo engenheiro precise dominar várias áreas ao mesmo tempo. O especialista continua sendo fundamental.

O que ganha importância é a capacidade de compreender as interfaces entre sua disciplina e as demais. Multidisciplinaridade não significa ser especialista em tudo, mas combinar profundidade técnica com capacidade de dialogar com outras áreas.

Um engenheiro mecânico não precisa se tornar desenvolvedor de software, por exemplo. Mas entender como determinadas decisões afetam sistemas eletrônicos ou embarcados pode melhorar a qualidade das decisões tomadas ao longo do projeto.

Eletrificação amplia a necessidade
de novas competências

Nos veículos elétricos e híbridos, essa integração se torna ainda mais evidente.

Competências consolidadas em motores a combustão, desenvolvimento de produto, manufatura e validação continuam relevantes, mas passam a conviver com conhecimentos relacionados a baterias, motores elétricos, eletrônica de potência, sistemas de controle, software embarcado e conectividade.

Para muitos profissionais, isso significa incorporar novos conhecimentos sem abandonar a base técnica construída ao longo da carreira.

A comunicação entre sistemas também ganha importância. Tecnologias como CAN, LIN, FlexRay e Automotive Ethernet atendem a necessidades distintas dentro do veículo e fazem parte de uma arquitetura cada vez mais complexa.

O desafio começa antes do projeto

Para as empresas, essa transformação cria uma questão adicional: não basta buscar novas competências quando o projeto já começou.

Alguns conhecimentos podem ser encontrados no mercado, outros precisam ser desenvolvidos internamente. Em muitos casos, será necessário combinar contratação, capacitação e apoio de especialistas externos.

Por isso, planejamento de competências passa a fazer parte do próprio planejamento de engenharia. A pergunta deixa de ser apenas “quantas pessoas este projeto exige?” e passa a incluir “quais conhecimentos serão necessários nas próximas etapas?”

Essa antecipação é importante porque determinados perfis técnicos são escassos e podem não estar disponíveis no momento em que a demanda aparece.

A engenharia automotiva continua exigindo profundidade técnica, o que mudou foi o contexto em que essa especialização precisa operar. À medida que o veículo integra mais hardware, eletrônica e software, cresce também a necessidade de profissionais e times capazes de entender as conexões entre essas áreas.

Para as empresas, preparar-se para essa mudança significa desenvolver competências antes que elas se tornem um gargalo para o próximo projeto.